segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Futsal 81 – orgulho cruzeirense

Em 1976 a ARUC começou a participar do Campeonato Oficial de Futsal de Brasília, inicialmente com equipes de nível apenas regular, sem maiores pretensões. No ano de 1979 fui procurado por um grupo de jogadores de alto nível que atuavam pelo ASCADE que havia encerrado suas atividades no futsal. Era Fitinha, Zé Mauro, Zequinha, Redi, Marcão, Ricardo, Amauri e outros. Nesse ano a ARUC já fez uma boa campanha ficando entre os quatro primeiros e conquistando a Taça Tenente Valdemar que era realizada antes do campeonato oficial.

Em 1981 assume o comando da equipe o ex-atleta Paulo Roberto Amaral, o popular Paulinho, um dos maiores pivôs da história do futsal brasiliense que iniciava aí sua carreira de treinador. Convidamos então alguns outros atletas para compor o grupo, tais como Hugo, Lourinho, Massaroto, Pantera e Maurição. Era realmente um grande time.

Fizemos uma campanha memorável e fomos para a final com o Economiários, hoje APCEF. O jogo foi realizado no ginásio do Minas completamente lotado, sendo transmitido pelas TVs Capital e Nacional, narrado pelo memorável Nilson Nelson. A ARUC fez 1x0 e o Economiários empatou. Antes do jogo o pivô Hugo veio falar comigo, meio triste porque ia ficar no banco, porém, foi taxativo: “Vou entrar no segundo tempo e fazer o gol da vitória!”

A partida corria com lances emocionantes em um jogo muito equilibrado pelo nível técnico das duas equipes. Hugo entra no decorrer do segundo tempo e recebe uma bola, domina no peito e gira, fazendo o gol da vitória da ARUC. Eu estava atrás do banco de reservas e Hugo se dirigiu até mim e me deu um forte abraço e repetiu suas palavras: “Não falei que faria o gol?”

Começava então uma forte amizade que dura até hoje. Nos finais de semana sempre encontro Hugo praticando futvolei no Parque da Cidade e faço questão de contar esta história para todos do meio esportivo. Esse mesmo time foi quarto lugar no campeonato brasileiro em Fortaleza/CE, sendo uma das melhores colocações de Brasília nesta competição.

Antes de viajar para Fortaleza a ARUC foi procurada por dirigentes de outros clubes que queriam a nossa vaga por achar que não teríamos condições financeiras para viajar. Realmente foi muito difícil, devido à nossa falta de condições, porém, encontramos um apoio muito grande dos desportistas Marco Aurélio Guedes e Amauri Roboredo que trabalhavam no SEED/MEC e conseguiram grande parte das passagens aéreas. Para mim seria uma questão de honra participar da competição porque era a forma de recompensar o grande esforço dos atletas na conquista do título de campeão brasiliense.

Nossa homenagem a este grupo vencedor formado por Miltão (massagista), Fitinha, Maurição, Massaroto, Toinha, Pantera, Roberto, Vareta (auxiliar), Zequinha, Redi, Hugo, Marcão, Lourinho e Ricardo. O grupo contava ainda com Zé Mauro, Augusto Climaco, Luís Pinóquio, Bira Santos, Francisco Paulo Esquerdinha, Paulo Amaral e Heitor, este, o maior o treinador da história do futsal de Brasília e que deu grande contribuição a nossa ARUC.

Fitinha

Do grupo campeão de 1981, há uma passagem sobre um atleta que julgo muito interessante, é o goleiro Roberto Goulart Barbosa, o popular Fitinha. Goleiro da nossa ARUC e presença constante em todas as seleções que foram formadas em nossa cidade. No início dos anos 70 fui convidado pelo dirigente da ASCADE Camerino Raul Conforte para assistir um jogo no Ginásio de Esportes do Gama e quando o time entrou em quadra vi um garoto franzino e de baixa estatura entrando como goleiro do ASCADE. Em tom de brincadeira falei com Seu Camerino: “O senhor vai colocar um garoto em um jogo de adultos. Isso não vai dar certo. Ele vai levar uma bolada e sair machucado” Seu Camerino respondeu: “Meu filho, você vai ver o futuro melhor goleiro de Brasília” E foi o que aconteceu.

Fitinha fechou o gol e garantiu a vitória do ASCADE. Começava ali uma carreira vitoriosa de um atleta com quem tenho orgulho de ter convivido e o considero dentro daqueles que incorporam o espírito cruzeirense de garra e dedicação. Apesar de não ter mais contato com Fitinha, por questões alheias à minha vontade, continuo sendo seu fã e só tenho a agradecer-lhe pela confiança que depositou em mim e na nossa ARUC.

Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes

Minhas histórias na ARUC

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