Um registro histórico do carnaval brasiliense. Naquele ano a Unidos do Cruzeiro seria campeã do desfile das Escolas de Samba com o enredo "Raízes do nosso povo".
Um registro histórico do carnaval brasiliense. Naquele ano a Unidos do Cruzeiro seria campeã do desfile das Escolas de Samba com o enredo "Raízes do nosso povo".
Crônica da Cidade, publicada no Correio Braziliense por SEVERINO FRANCISCO em 15 fev. 2026
Além da rainha Verônica do Amaral na linha de frente, com mais de 40 passistas, o desfile teve a presença das senhoras do bairro e de Dona Marlene Pinto Cerqueira, de 91 anos, Ala da Velha Guarda, Ala Amigos da Aruc, Ala da capoeira e Ala Infantil. No carro de som, puxando o desfile na voz, Kalebe Príncipe, André Sorriso e Miriam Tassy.
Não entrarei no mérito da falta de apoio para os desfiles oficiais, que restringem a atuação da Aruc e de outras escolas. Mesmo assim, desde 2015, a Aruc inventa uma maneira de realizar o tradicional Desfile de rua.
Neste ano, o desfile da Aruc teve as participações especiais das escolas de samba Bola Preta de Sobradinho e Acadêmicos da Asa Norte. O importante é que, com ou sem desfile oficial, a escola desfila todo ano na Avenida das Mangueiras, entre o Cruzeiro Velho e o Cruzeiro Novo.
De minha parte, tenho simpatia pela Aruc por várias razões. Quando ainda não havia representação política, durante o período do regime de exceção instaurado pelos militares, a Aruc era a instituição que lutava pelas reivindicações da comunidade do Cruzeiro. Ela está na memória afetiva de várias gerações de cruzeirenses pela atuação cotidana na vida da cidade.
Em 1978, quando o Pacotão era apenas uma vaga ideia na cabeça de alguns jornalistas irreverentes e o bloco não tinha banda para animar a folia, eles procuraram
Sabino, então presidente da Aruc que, imediatamente, liberou a bateria da escola para fazer a trilha sonora da sátira política brasiliense.
Ao fazer um exame, depois de passar mal, em 2011, o meu amigo-poeta Reynaldo Jardim, talvez mais importante jornalista cultural da imprensa brasileira, foi avisado pelos médicos de que precisaria fazer um ‘procedimento”. Reynaldo alertou à família: “Vai dar tudo certo, mas, se não der, chamem a bateria da Aruc”.
Como previa, ele não resistiu e morreu aos 84 anos. Por alguma razão, a Aruc não pôde ir ao velório, mas em um sarau de sétimo dia, a bateria da escola compareceu e cumpriu o desejo de Reynaldo: “Quero morrer numa batucada de bamba/Na cadência bonita do samba”.
Recentemente, fui a um hortifruti com uma camisa do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, presente de minha filha. Para minha surpresa, despertei a atenção de um funcionário, um senhor muito educado, que comentou: “Eu vi esse filme, conheço Glauber Rocha”.
Fiquei curioso e perguntei em que circunstância ele havia entrado em contato com o cinema do Glauber e ele me disse: “Frequentei o Cine Clube Gavião, na Aruc, do Cruzeiro”. Como se vê, a presença da Aruc parte do samba, mas transcende o carnaval. E a cultura contribui para formar seres humanos melhores.
Uma grande festa e um ato de resistência cultural. Assim foi mais um desfile de rua da ARUC no Cruzeiro. A Avenida das Mangueiras foi tomada por nossa escola de samba e as co-irmãs Acadêmicos da Asa Norte e Bola Preta de Sobradinho para desfilar com muita energia na tarde de domingo, 8 de fevereiro, para abrir o nosso carnaval. Confiram algumas fotos do Campina (@galeranafoto).
Uma realização da Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (ARUC) e do Instituto ARUC, com apoio do Quiosque Jeito Carioca e da Administração Regional do Cruzeiro. O desfile contou com o patrocínio da Fundação Banco do Brasil e do Governo Federal, além do apoio de parceiros históricos da escola, como comerciantes locais, o Sindicato dos Bancários e a própria comunidade do Cruzeiro.
Por Walkyria Lagaci, postado em 08/02/2026 17:31. CORREIO BRAZILIENSE
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| Thais veio prestigiar o desfile do Cruzeiro pela primeira vez com as amigas - (crédito: Walkyria Lagaci) |
Domingo também é dia de festa para os amantes do carnaval. Mesmo quase uma semana antes do feriado, a diversão já é garantida nos bloquinhos brasilienses. No Cruzeiro Velho, a celebração começou as 14h, com o tradicional desfile de rua da Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc), além das escolas de samba Acadêmicos da Asa Norte e Bola Preta de Sobradinho.
A servidora pública Thaís Passos, 45, foi com as amigas prestigiar o desfile pela primeira vez. “Confesso que eu nunca participei diretamente da comunidade do carnaval aqui do Cruzeiro, mas eu gosto muito de carnaval e então estou aproveitando esse ano para curtir mais um pouquinho”, contou. “Eu já vi o desfile da janela do meu quarto, mas hoje vim assistir de perto”, relatou.
O amor pela festa vem de anos para alguns foliões. A aposentada Daura Cunha, 78, veio com o marido para curtir o carnaval no Cruzeiro. “Eu sou paraibana e brincava muito carnaval quando era criança. Eu adoro e agora que moro em Brasília há muitos anos aproveito a festa aqui”, disse. “Acho o carnaval de rua muito interessante porque abrange todas as classes”, acrescenta.
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| Daura Cunha veio curtir o carnaval com o marido Roberto | (foto: Walkyria Lagaci) |
O samba está no pé da musa Thais Alvim, 34, desde muito cedo. “É uma paixão que veio do berço. Minha mãe é de Osvaldo Cruz [bairro do Rio de Janeiro] e a gente assistia os desfiles juntos em casa”, afirmou. A dançarina entrou na Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc) em 2021 como passista e em 2024 foi nomeada musa junto com as amigas Júlia e Pietra. “Essa comunidade é muito incrível, é muita união entre mulheres, muita luta por representatividade, pela luta antirracista também”, destacou.
Desfile de rua reúne a comunidade e conta com a participação das escolas Acadêmicos da Asa Norte e Bola Preta de Sobradinho, aquecendo o Carnaval 2026
A tradição do samba vai tomar conta das ruas do Cruzeiro Velho no próximo domingo, 8 de fevereiro, quando a Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (ARUC) promove seu tradicional desfile de rua, marcando o aquecimento para o Carnaval 2026 no Distrito Federal. A concentração está marcada a partir das 14h, na Quadra 6 do Cruzeiro Velho, com percurso pela Avenida das Mangueiras, em um evento gratuito e aberto a toda a comunidade.
Além da ARUC, o desfile de rua contará com a participação das escolas Acadêmicos da Asa Norte e Bola Preta de Sobradinho, que se unem à celebração levando suas baterias, alas e integrantes para reforçar o clima de confraternização e resistência cultural. A presença das agremiações simboliza a união das escolas de samba do DF em defesa da tradição carnavalesca e da ocupação do espaço público com arte, música e identidade popular.
Mais do que um cortejo festivo, o desfile reafirma uma tradição que acompanha a história do bairro desde a fundação da escola, em 10 de outubro de 1961. Para o presidente da ARUC, Robson Oliveira Silva, a saída da escola às ruas do Cruzeiro é um símbolo de resistência cultural e compromisso comunitário. “O desfile de rua da ARUC representa o comprometimento da escola com a sua comunidade. É uma tradição que vem desde quando éramos crianças, desde a fundação da escola. O Cruzeiro é o baluarte da arte em Brasília, e manter essa tradição é afirmar nossa identidade cultural”, destaca.
Fundada por cariocas transferidos do Rio de Janeiro para Brasília, a ARUC trouxe para o Distrito Federal a vivência do samba de raiz, transformando o Cruzeiro em um dos principais polos culturais da capital. Hoje, a escola é reconhecida como patrimônio cultural imaterial do Distrito Federal e abriga, em sua sede, o Museu da Memória da ARUC, onde estão preservados os 31 troféus conquistados ao longo de sua trajetória.Maior campeã da história do carnaval brasiliense, a ARUC venceu 31 dos 49 desfiles oficiais dos quais participou e detém o recorde de octacampeonato entre 1986 e 1993 – marca superior, inclusive, ao histórico heptacampeonato da Portela, sua madrinha no Rio de Janeiro.
Sob a atual gestão, iniciada em 1º de maio de 2024, a escola tem passado por um processo de revitalização estrutural e fortalecimento de suas atividades culturais e esportivas. “Mesmo diante de dificuldades financeiras, seguimos com ensaios semanais, revitalizamos espaços da ARUC e mantemos projetos que transformam vidas por meio da cultura, do esporte e da inclusão social”, afirma Robson.
Um espetáculo para a comunidade
Para o desfile deste ano, a expectativa é de um espetáculo completo, com a força e a identidade que marcam a história da escola. A ARUC levará à avenida sua bateria Carcará, alas populares, ala das baianas, comissão de frente, destaques, três casais de mestre-sala e porta-bandeira, além de um carro de som com intérpretes completos e mais de 50 passistas. “Vamos mostrar para a nossa comunidade a força que é a ARUC para o Cruzeiro. Esse desfile é envolvimento, satisfação cultural e pertencimento”, reforça o presidente
A madrinha da escola e diretora do Departamento de Eventos, Nanda Classo, destaca o caráter afetivo e comunitário do desfile de rua. “É uma mistura de orgulho, responsabilidade e muito amor. O desfile de rua é essencial para manter a cultura viva. Ele é mais próximo, mais humano, mais acessível. É a ARUC se encontrando com o seu povo”, afirma.
Segundo ela, a expectativa é despertar no público sentimentos de alegria, orgulho e pertencimento. “Que as pessoas sintam que essa escola é delas, que saiam com o coração leve e com vontade de participar cada vez mais da ARUC”, completa.
Resistência cultural e apoio coletivo
Em um cenário marcado pela ausência de desfiles oficiais no Distrito Federal nos últimos anos, o desfile de rua cumpre um papel ainda mais simbólico. “As escolas de samba vivem uma realidade de resistência cultural. O desfile é o resultado de um trabalho anual de economia criativa, inclusão social, geração de emprego, educação e integração comunitária”, ressalta Robson.
A realização do evento é da Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (ARUC) e do Instituto ARUC, com apoio do Quiosque Jeito Carioca e da Administração Regional do Cruzeiro. O desfile conta com patrocínio da Fundação Banco do Brasil e do Governo do Brasil, além do apoio de parceiros históricos da escola, como comerciantes locais, o Sindicato dos Bancários e a própria comunidade do Cruzeiro. “Sem esse apoio, nada disso seria possível. Mas também é fundamental destacar a dedicação dos nossos integrantes e voluntários, que fazem a ARUC acontecer todos os dias”, conclui o presidente.
SERVIÇO:
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| Foto: Diller Abreu/FFDF |
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| Foto: Diller Abreu/FFDF |
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| Foto: Editoria de Arte/Distrito do Esporte |
A Aruc está de volta ao convívio com principais forças do Distrito Federal. A longa ausência terminou após duas décadas fora da elite local. O Time do Samba, agora comandado por Dedé Rodrigues, renasce em ambiente renovado, com elenco maioritariamente construído a partir de destaques do Riacho City e alguns importantes remanescentes de 2025. A estratégia valorizou atletas habituados ao estilo físico da competição e relacionamento próximo com o treinador.
Dedé assumiu liderança técnica naturalmente. A chegada dele facilita entendimento do grupo, acelera ajustes e reduz ruídos no vestiário. O Time do Samba apostou em disciplina, repetição de movimentos e organização tática durante semanas de preparação. A comissão abraçou primeiro objetivo de temporada: permanência dentro da Série A do Candangão, passo essencial antes de ambições maiores. Entre os atletas que jogaram a primeira rodada da última Segundinha peça Onça Pintada, chegam o goleiro Marcos Vinycius e o atacante Dani Bocão, por exemplo.
A remodelagem do elenco buscou equilíbrio entre energia e vivência. A Aruc reduziu dependência de atletas emprestados de Brasiliense e Samambaia, movimento visto como avanço estrutural. Alguns atletas remanescentes da parceria formam a espinha dorsal do grupo. Neste caso, se destacam o lateral Hugo Mendes, o atacante Dharlysson e o meio-campista Yuri.
O time azul e branco pretende projetar identidade própria no regional, sustentada por jogadores contratados diretamente e, portanto, com vínculo emocional e técnico mais profundo. O Gavião destacou o amadurecimento gradual durante ensaios táticos e amistosos da pré-temporada. Os trabalhos começaram nos últimos dias de dezembro e seguiram até a véspera da reestreia na elite.
O clube usou redes sociais para mostrar apenas fragmentos do trabalho. Publicações recentes apresentaram tom de confiança e seriedade. Uma das mensagens sintetiza espírito adotado na virada de calendário: “Sol forte, gramado impecável e entrega constante. Cada passo feito carrega evolução. Encerramos ano com comprometimento. Trabalho representa começo de objetivos maiores. Seguimos firmes, focados e preparados. Dois mil e vinte seis já nos espera.” O discurso ressoa dentro do vestiário.
O Time do Samba encara retorno como reconstrução histórica. A luta central envolve escapar da zona de rebaixamento e pavimentar a permanência. A partir desse alicerce, o Gavião pretende mirar voos maiores e, pouco a pouco, restabelecer nome tradicional do Distrito Federal dentro de uma liga intensa e sem margem para desatenção.
Goleiros: Marcos Vinycius, Thaynan e Eduardo
Zagueiros: Adam Henrique, Lucena, Luan Berny, Juan e Kevin
Laterais: Hugo Mendes, Jefferson, Biro Biro, Yan, Danilo Titela e Davi Pit Bul
Meio-campistas: Yuri, Sebastyan, Gabriel Livinho, Juninho, Arthur Rodrigues, Arthur Lima, Neres, Athos Moreno e Enzo
Atacantes: Dharllyson, Pom Pom, Moreira, Kauã Luva, Rony, Stefan, Dani Bocão, Gleydson e Renan Berny
Técnico: Dedé Rodrigues
Agenda no Candangão