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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Eu e Jerusa

Equipe juvenil do Cruzeiro do Sul. Jerusa é o último agachado, da esquerda para a direita.
Conheci o Jerusa tão logo cheguei em Brasília. Ele era o massagista do time de futebol juvenil do Cruzeiro. Como jogava mal, a única forma de estar junto dos amigos era colaborar como massagista e participou da gloriosa campanha do time do Cruzeiro do Sul, campeão juvenil de Brasília em 1962.
Ele era um excelente passista e durante muitos anos comandou uma ala com dez componentes, além disso, era ele quem desenhava os figurinos da ARUC e ajudava na confecção das fantasias.
Minha história mais marcante com o Jerusa aconteceu em um jogo de futebol entre os times do Cruzeiro e da Candangolândia. Lá pelas tantas, saiu um tumulto generalizado e nosso time foi salvo por ele, pois estávamos em menor número e jogávamos na casa do adversário. Houve, porém, um preço, pois ele contaria aos meus pais e irmãos que eu estava me metendo em confusão.
A partir dali passei a ter uma grande admiração por ele que sempre me cobrava o estudo e não abria mão disto: "Para jogar futebol tem que estudar." Depois daquela confusão não tinha como não seguir o que ele me recomendava.
Nos últimos anos, já com a saúde debilitada, não deixava de colaborar no barracão de carnaval e participar dos desfiles, sendo exatamente o ano do cinquentenário a sua despedida da avenida.
A nossa homenagem a este grande cruzeirense que vai se juntar a tantos outros que nos deixaram.

Helio dos Santos
Minhas histórias na ARUC

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Iracema e Demônios da Garoa

Dois desafios que tive no Projeto Temporadas Populares foram os shows do Demônios da Garoa e também do Arranco de Varsóvia. Por ocasião da elaboração do projeto conversei com o administrador do Cruzeiro, Hélio Lopes, e falei da minha admiração pelo grupo paulista e que surgia no Rio um grupo vocal que fazia muito sucesso.
O Hélio concordou, como sempre, e acertamos os shows. Desde criança que tenho uma grande admiração pelo Demônios da Garoa e pelo já falecido Adoniran Barbosa. Me chamava atençao em especial uma música chamada Iracema, que conta uma história trágica, mas que teve duas gravações marcantes com Clara Nunes e Elis Regina.
Até aí, tudo bem. Com a proximidade do evento, passei a me preocupar como o público da ARUC, que é de escola-de-samba e pagode, reagiria com essas atrações. Mas com a boa divulgação que foi feita, o público correspondeu e no dia do show pedi ao pessoal do Demônios que cantasse Iracema. Para minha surpresa, quase todas as pessoas presentes acompanharam, provando que não era só eu que gostava da música.
O show foi inesquecível, com grande aceitação do público e da imprensa.
Já quanto ao Arranco de Varsóvia, por ser um grupo mais elitizado e com músicas desconhecidas, o show agradou mas não teve a mesma empatia com o público.


Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes
Minhas histórias na ARUC



terça-feira, 18 de outubro de 2011

A escolha do samba-enredo de 77

Jorge Martins, Nilson Nelson, Áurea Varjão, Maria do Rosário Caetano, Athayde Passos da Hora, Kojak.

Em 1977 o enredo da ARUC foi “Chico Rei, sua história e sua glória”. Um enredo muito pesquisado pela equipe do Roberto, que teve o seu auxiliar, José Alcântara, o Zuquinha, enviado a cidade de Ouro Preto para aprofundar as informações para elaboração do tema. A disputa do samba-enredo teve vinte sambas inscritos e uma mobilização dentro da ARUC muito grande, pois todos os compositores queriam vencer. Nesse ano o presidente Sabino convidou a professora Carvieicha, uma astróloga do Correio Braziliense muito famosa na cidade, e além dela os jornalistas Maria do Rosário Caetano, Irlam Lima, Leonardo, Jorge Martins, Nilson Nelson e dois oficiais da Marinha.

Professora Carvieicha

No dia da escolha o presidente Sabino não pode comparecer e eu fiquei como responsável pelo evento. Na hora da apuração fui recolher o mapa dos jurados e para minha surpresa a professora não tinha dado nota. Ato contínuo ela me pede mais uns salgadinhos que segundo ela estavam muito gostosos, com uma festa muito bonita, e ela não foi lá para ficar dando nota. Quase fui à loucura. Os compositores estavam achando que tinha uma armação e eu fiquei sem saber o que fazer. E o pior ainda estava por vir.

Os dois oficiais da Marinha disseram que só entregavam o mapa de apuração na presença do Sabino, e não tive como convencê-los de que eu precisava dos mapas para dar o resultado final. Foi aí que veio uma luz da jornalista Maria do Rosário Caetano sugerindo que fizéssemos a apuração sem as três notas e foi o que fizemos.

O vencedor foi o samba do Vareta, feito em parceria com Copacabana, cujo nome não aparece oficialmente nos arquivos da ARUC por não ser da Ala dos Compositores. Foi uma noite negra na qual, ao final, todos os cruzeirenses saíram vencedores. Mas só eu sei o sufoco que passei.

Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes
Minhas histórias na ARUC

Wilson Miranda – o brother

Wilson Miranda com o jornalista Nelson Mota

Jornalista dos mais antigos da cidade, é uma figura folclórica que circula pela noite de Brasília transmitindo a sua simpatia. Conheci o Brother em meados dos anos 70, quando ele trabalhava na editoria de esportes do Jornal de Brasília junto com Antônio Ottoni, Nilson Nelson, Augustinho Lima, Gustavo Mariani e tinha como “foca” nada menos que Renato Russo, fazendo estágio como jornalista.
Essa equipe de jornalistas deu muita força para a ARUC. No início dos anos 80 foi criada a Ala da Imprensa e Wilson Miranda era um dos seus responsáveis, além de participar do comando do Pacotão, onde atua até hoje. Uma de suas grandes contribuições foi ter trazido o jornalista e escritor Moacyr de Oliveira, o popular Moa, que é o atual presidente da nossa entidade. Todo o ano o Brother é um dos primeiros a cobrar o início dos ensaios e é presença constante na nossa quadra. Em muitas brigas com as autoridades do governo, nós tivemos o apoio da imprensa e em especial do Brother e da sua companheira de redação, Áurea Varjão.

Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes
Minhas histórias na ARUC

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Clodomir Lucas dos Reis – o seu Babi

Seu Babi foi um dos primeiros moradores do Cruzeiro e sempre foi muito respeitado pela comunidade pelo seu jeito simpático de tratar questões polêmicas. Sempre que havia um problema no clube Cruzeiro do Sul (local onde hoje funciona a ARUC) ou até mesmo questões pessoais envolvendo moradores da cidade, seu Babi era convocado para intermediar e sempre conseguia resolver.

A minha maior aproximação com ele foi em meados da década de 60 quando o clube do Cruzeiro tinha um time de futebol veterano e seu Babi atuava como zagueiro. Em todos os jogos eu estava à beira do campo procurando aprender, pois admirava o futebol praticado por todos da equipe. Certa ocasião seu Babi me convidou para jogar também.

No primeiro momento tomei um susto, pois como poderia, com apenas 15 anos, atuar junto com uma geração de craques. De tanto insistir acabei aceitando. Entrei no segundo tempo e foi uma das maiores satisfações que tive como atleta.

Tempos depois, já em 1975, acabei fazendo parte da diretoria da ARUC, tendo seu Babi como membro do Conselho Deliberativo. Ele desfilou na Comissão de Frente e na Harmonia. Era presença constante no barracão e ajudava a comandar os ensaios. Quando a ARUC perdia, ele não perdia a elegância e sempre procurava acalmar os cruzeirenses com os nervos aflorados por não estarem acostumados a perder.

Seu Babi não está mais com a gente, mas deixou um grande legado para nós, cruzeirenses, sempre com a voz em tom baixo e com a tranqüilidade, sempre foi o ponto de equilíbrio da ARUC para mim uma das pessoas da entidade com quem mais eu me identifiquei.

Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes
Minhas histórias na ARUC

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Eu e Passarito

Ivone Lara e Passarito na ARUC em 1990.

Tão logo tomei posse na ARUC em 1980 eu e o grupo que me apoiava projetamos vários eventos e a idéia era começar os preparativos para o carnaval com antecedência. E toda a oportunidade que tínhamos para chamar alguma personalidade que estivesse participando de algum evento em Brasília para visitar os ensaios. Em uma sexta-feira o nosso colaborador Athayde Passos da Hora, sabendo que o Fluminense estaria em Brasília, pediu que fizéssemos uma festa para receber parte da delegação tricolor.

Convocamos todos os colaboradores para arrumar a quadra de ensaios e no momento em eu estávamos nos preparativos, fomos pegos de surpresa quando um carro descaracterizado encostou em frente à Secretaria da ARUC e nos comunicaram o seguinte: eram da delegacia e tinham uma ordem de um delegado morador próximo à ARUC para acabar com o ensaio por estar incomodando.

Nós ponderamos que era uma área de clube e que a entidade já existia a bastante tempo, além de um erro de procedimento pois eles estavam em um carro civil e em momento algum fizeram um comunicado formal para a diretoria da ARUC. Isso gerou uma discussão, quase chegando às vias de fato.

Tão logo essas pessoas saíram da ARUC, resolvi ir à delegacia esclarecer melhor a situação. No meio do caminho encontro o saudoso ex-presidente da Liga das Escolas de Samba Passarito que me perguntou aonde eu estava indo. Expliquei a ele, e ele foi também. Chegando lá os policiais não quiseram esclarecer nada e ainda ficaram tirando onda. Eu e Passarito não deixamos por menos e lá pelas tantas pedi a Passarito para que saísse de fininho e procurasse por um advogado. Ele então ligou para Rômulo Marinho, muito conceituado em Brasília e com livre trânsito em vários segmentos da cidade. Rômulo então ligou para o Secretário de Segurança e foi a nossa salvação.

Uma coisa ficou bem clara ali. Eu estava acompanhado da pessoa certa, pois Passarito em momento algum aceitou o desrespeito muito grande com o qual estávamos sendo tratados. Ficou marcado na minha lembrança este fato e partir de então ele passou a ser meu amigo, não só por ser solidário em um momento difícil como também por ser uma figura simpática e que demonstrava um apreço muito grande por todos os sambistas de Brasília; e o dr. Rômulo Marinho, que era compositor, foi convidado a participar das escolhas de samba-enredo e samba de terreiro.

Depois disso entramos em acordo com os moradores do Cruzeiro e não tivemos mais problemas provando que bastava uma conversa para buscarmos uma solução. Não precisava usar o autoritarismo e a força para nos calar... Não deu certo e nunca vai dar!

Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes
Minhas histórias na ARUC

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Handebol juvenil e junior - bicampeão do Brasil


Correção: Na foto equipe junior.

O handebol da ARUC atravessou uma fase brilhante no final dos anos 80 e na década de 90. Foram várias conquistas nível local e interestadual em um trabalho de alto nível dos professores Marcelo e Abelardo.

Em 1990 a ARUC foi disputar o campeonato brasileiro júnior, na cidade de Simão Dias/SE. No ano anterior a equipe havia conquistado o título na cidade de Santo André/SP e competiu com o time renovado. Chegando na cidade nos deparamos com uma realidade dura e cruel. Ficamos alojados em um colégio que não tinha banheiros, sendo improvisado na área externa cercada por uma lona um cano para os atletas tomarem banho e o pior ainda estava por vir. A alimentação era simplesmente macarrão, arroz e carne de bode, comida que não estávamos acostumados. Tão logo anoitecia o alojamento improvisado concentrava uma quantidade enorme de morcegos.

No primeiro dia marquei uma reunião com a comissão técnica e os atletas e expus que a realidade era aquela, até porque a cidade não oferecia alternativa e que só bastava agora lutar para superar as adversidades e conquistar o bicampeonato brasileiro.

A cidade tem um ginásio para aproximadamente 3.000 pessoas e em todos os jogos estava lotado. Isso fez com que o time esquecesse as precárias condições e se superasse dentro da quadra.

Na fase classificatória a ARUC venceu as quatro partidas com larga diferença no placar e foi para a final com o time da casa, em um jogo muito disputado e ginásio super lotado. A ARUC jogou uma partida perfeita e venceu por uma diferença de sete gols, tendo ainda o artilheiro Guinho e o melhor atleta, Túlio.

Mais uma vez prevaleceu o espírito cruzeirense de superar adversidades e conquistar vitórias consideradas improváveis. Foi para mim uma das maiores felicidades a frente da nossa entidade, pois os atletas provaram na quadra o amor e o orgulho que tinham em defender a nossa ARUC.

Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes
Minhas histórias na ARUC

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Futsal juvenil e aspirante – os times que jogavam por música

Juvenil
Na foto: Alfredo Guedes, Taco, Ari, Ricardo, Careca e Gilson. Monga, Carlos, Flávio, Silvio e Gildo.

Em 1981 a ARUC montou um grande time para disputar o campeonato juvenil de Brasília, sob o comando do atleta da equipe principal Zequinha. O time fez uma campanha brilhante e foi para a final contra a AABB. Na semana que antecedeu o jogo decisivo, os dirigentes da equipe adversária pediram para adiar a final dando alegações sem sentido e que no fundo, eles queriam contar com seu melhor atleta, o pivô Galo, que cursava Arquitetura na UERJ.

De imediato concordamos, porque o título só teria um gosto especial com o adversário completo. A final foi na quadra da ASCADE totalmente lotada, com a torcida da ARUC prestigiando em peso. Perdemos nos pênaltys.

Nos dois anos seguintes fizemos a final contra o mesmo time em partidas memoráveis de toda equipe, sob o comando do experiente treinador Alfredo Guedes, com a equipe sagrando-se bicampeã de Brasília.

AspiranteNa foto: Cláudio Buru, Carlos João, Cléber, Beto, Feijão, Bira e Pinóquio.
Betinho, Taco, Gaúcho, Nando, Jair, Gildo, Careca e Sinval. (Jorge Testa)

Esta foi uma categoria criada para os jogadores que completavam a idade para a equipe juvenil e não tinha ainda oportunidades na equipe principal. Isso fez com que a ARUC montasse um verdadeiro timaço, chegando ao ponto dos times adversários desistirem do campeonato porque a ARUC só ganhava de goleada, tendo uma partida com o placar de 23x0.

Do grupo de times campeões da ARUC neste período, os atletas Gildo e Luís Pinóquio brilharam no futsal espanhol durante muitos anos e outros atletas só não foram para o exterior porque optaram por trabalhar e estudar.

Nas duas equipes o grupo de atletas era em sua maioria do Cruzeiro Velho e Novo, oriundos da escolinha da ARUC. Havia uma dedicação muito grande de toda a equipe e um empenho maior ainda nos treinamentos. Sabíamos que tínhamos de vencer dentro e fora da quadra, porque éramos um time de uma cidade abandonada e de uma escola-de-samba.

O transporte dos atletas era feito em uma Kombi, variando do Seu Bill, João Beiçola e o velho Chefia. O retorno dos jogos era uma festa, sempre comemorando uma vitória ao som do que eu considero o segundo hino da ARUC “O que é, o que é” de Gonzaguinha.

Todos cantavam em especial o refrão “Viver! / E não ter a vergonha / de ser feliz / cantar e cantar e cantar / A beleza de ser / um eterno aprendiz...”


Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes
Minhas histórias na ARUC

Marly e o coração de pedra

Se tem uma pessoa na história da ARUC que sabia cantar todos os sambas-enredos até o seu falecimento, uma delas era minha irmã Marly. Ela participou da fundação da ARUC e desfilou na Harmonia e na Ala das Baianas. A lembrança que tenho da minha irmã era de todos os dias, no fim da tarde, quando ia tomar banho, começava a cantar sambas-enredos e sambas de terreiro da ARUC. Uma vez ou outra “Deixa eu te amar” do Agepê e “Mulheres” do Martinho da Vila.

Ela sempre me cobrava a presença do Agepê na ARUC. Quando já estava quase certa a sua presença em um show ele veio a falecer. Um dos sambas da ARUC que a Marly mais gostava era “Coração de Pedra”, cujo trecho da letra que me lembro era assim:

TUA BELEZA NÃO DEDUZ
REALMENTE QUEM TU ÉS
O PERDÃO TU NÃO TERÁS
NEM QUE UM DIA VENHA DE JOELHOS AOS MEUS PÉS
A TUA INGRATIDÃO FOI DE MAIS
MAGOASTE A QUEM TANTO TE FEZ BEM
CORAÇÃO DE PEDRA NÃO GOSTA DE NINGUEM
DEITE UM LAR TÃO LINDO
TU DESPREZASTES...

Não consegui até hoje identificar o autor e a letra completa. Caso alguém sabe como ela continua, por favor, envie para o e-mail da ARUC (aruc.df@gmail.com)

Esse com certeza foi um dos maiores sambas de terreiro da nossa ARUC e nada mais justo do que lembrá-lo no momento em que completamos cinqüenta anos.



Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes
Minhas histórias na ARUC

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Mauro – voz e ritmo de um guerreiro

Em 1985 a ARUC criou os Jogos Comunitários do Cruzeiro e o evento envolvia as comunidades do Cruzeiro Velho, Novo, Octogonal, SMU e SIA, e em especial os colégios da região. A idéia era que o evento fosse organizado com voluntários e nas reuniões que antecederam a abertura o Mauro que era ritmista e puxador ficou encarregado de coordenar e apitar os jogos de vôlei, junto com a sua namorada Silvinha, que era atleta federada de Brasília e já despontava como uma das grandes atletas de nossa cidade.
O evento atingiu uma dimensão muito grande com uma participação maciça da comunidade. Um dia antes da abertura fui procurado pelo Mauro que me falou que havia sido procurado por um grupo de amigos do Guará para um churrasco em Planaltina. Ponderei que ele era indispensável e não tinha um substituto para seu lugar. Não teve jeito. No dia seguinte tive de improvisar, me virando e apitando alguns jogos.
No final de uma tarde de sábado do mês de agosto, após a realização dos primeiros jogos recebi um telefonema do Vareta e que as primeiras informações indicavam o falecimento de Mauro e Silvinha no trajeto de volta de Planaltina. Fomos eu, Vareta e Zuca ao hospital de Sobradinho e infelizmente a notícia se confirmou.
Em um carro com cinco pessoas, quatro adultos e uma criança, faleceram os dois cruzeirenses. Para mim foi uma das piores notícias desde que estou na ARUC. Posso dizer que Mauro era um dos meus braços direitos. Era um grande ritmista, compositor e cantava os grandes sambas-enredos da época com grande sucesso. Quando o ensaio estava fraco eu corria até o Mauro e passava o microfone para ele. Em um instante os ensaios cresciam em animação e empolgação.
Ele freqüentava minha casa e era querido por todos no Cruzeiro e em Brasília, tendo feito parte do grupo Coisa Nossa e fez o samba mais famoso do Cacique do Cruzeiro. Quem não se lembra do refrão “Cantei, cantei e fiz a galera delirar...”
Infelizmente o destino levou uma das maiores revelações da nossa ARUC. Dos mais antigos da ARUC ninguém esquece o Mauro.

Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes
Minhas histórias na ARUC

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Thió – a trajetória do velho guerreiro

Yoshio Ide, o popular Thió, foi tesoureiro, secretário, enfim, uma faz-tudo na ARUC. Tinha o respeito de todos os componentes e comandava o bar com competência. Em meados da década de 70 a ARUC promovia o Torneio Aberto de Futsal que chegava a ter 100 times do DF e do Entorno. Em um domingo a tarde, após o último jogo, estávamos preparando a tabela das próximas rodadas e Thió estava em um barzinho próximo à ARUC aguardando acabar a reunião para emitir o boletim dos jogos para em seguida levarmos aos jornais. Eis que somos pegos de surpresa quando Seu Jorge, diretor de harmonia na época, chega ofegante e passando mal dizendo que Thió tinha sido seqüestrado.

Saímos então à procura nos quartéis, delegacias e Polícia Federal. Demorou a descobrirmos o que tinha acontecido. Thió fora seqüestrado covardemente por agentes da repressão e além de ser agredido, simplesmente por que foi simpatizante de um partido de esquerda, ficou nos porões da ditadura no Rio e em Brasília durante muito tempo, sendo torturado pelos monstros do regime. Perdeu o emprego e nada ficou provado contra ele. Conseguiu voltar depois de muitos anos ao nosso convívio e foi reintegrado à gráfica do Senado. Atuou por mais algum tempo na ARUC e retornou ao Rio de Janeiro onde reside até hoje.

Mesmo depois de muito sofrimento, Thió conseguia manter a calma e era sempre consultado por todos os presidentes que passaram pela ARUC. Era meu amigo pessoal, além de ser um confidente, sabia ouvir e sempre tinha um encaminhamento para solucionar os problemas que a vida nos apresenta. Foi uma lição para todos nós que convivemos com ele. Deixou um grande legado para nossa entidade que foi a correção com que tratou as questões administrativas e financeiras, sendo um exemplo de humildade.

Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes
Minhas histórias na ARUC

Júnior do Cavaco – o poeta do samba

Conheci Júnior do Cavaco através do seu pai, seu Remédios, na época em que estudávamos juntos no turno noturno do Ginásio do Cruzeiro. Em meados dos anos 80 Júnior já dava seus primeiros acordes no cavaco. A partir dali criamos uma relação de amizade muito forte porque seu Remédios também participava da Ala de Compositores da ARUC. Júnior do Cavaco foi o maior compositor de samba de Brasília e sempre me ligava para mostrar um samba novo e me pedir opinião sobre suas composições.

Duas delas “De mim para você” dele com Evandro Barcelos gravado pelo Negritude Júnior e “Indefinições” gravada pelo Grupo Coisa Nossa. Dificilmente alguém que ouve essas músicas e conheceu Júnior não se emociona com suas letras fortes.

Infelizmente Júnior faleceu no início dos anos 90 em um acidente de carro deixando um grande vazio no samba de Brasília e até mesmo do Brasil, pois já ocupava espaço com grandes grupos do pagode e cada vez mais melhorava não só as suas composições como também se aperfeiçoava tocando cavaco.

A homenagem a Júnior do Cavaco se estende a toda uma geração de pagodeiros de Brasília com a qual ele tinha afinidade.

Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes
Minhas histórias na ARUC

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Vanderley - um guerreiro cruzeirense

Conheci o Vanderley ao chegar a Brasília em 1961, ano de fundação da ARUC. Apesar de não ter assinado a ata de fundação, Vanderley é considerado um fundador porque participou da escola como ritmista e em seguida diretor de bateria. Ele sempre foi um apaixonado por nossa entidade. Foi presidente entre 1966 a 1968, mas participou de todas as diretorias como colaborador. Nunca se afastou da nossa entidade.
A lembrança que tenho dele logo no início da ARUC era quando se aproximava o carnaval e ele procurava o compositor Cláudio Silva que trabalhava na construção das casas do Cruzeiro com uma página da revista “O Cruzeiro” com uma reportagem histórica de onde ele tirava a idéia para o samba-enredo, como por exemplo “Exaltação a Bahia” de 1964, “Impressão Régia” de 1965 e “Homenagem a Bernardo Sayão” de 1967, verdadeiras obras-primas dos sambas-enredos da ARUC.
Mas o fato mais marcante da minha convivência com Vanderley aconteceu em 1974. Eu e alguns amigos treinávamos basquete na quadra da ARUC e ao lado ele recuperava alguns instrumentos da nossa bateria. Eis que surge o presidente da escola que havia sido campeã naquele ano para trazer um convite para que a ARUC levasse um representante na festa da vitória deles. Só que este foi muito deselegante ao entregar o convite a Vanderley, dizendo que deveríamos “ir bem vestidos” porque eram convidadas autoridades e nós não poderíamos fazer feio. Vanderley recebeu o convite elegantemente e resmungou bem baixinho: “Nós vamos dar o troco. O título volta para o Cruzeiro ano que vem.”
Sua profecia se confirmou e no ano seguinte, sob a presidência de Sabino e colaboração de Vanderley, a ARUC conquistou o título e o troco foi dado.


Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes
Minhas histórias na ARUC

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Futsal 81 – orgulho cruzeirense

Em 1976 a ARUC começou a participar do Campeonato Oficial de Futsal de Brasília, inicialmente com equipes de nível apenas regular, sem maiores pretensões. No ano de 1979 fui procurado por um grupo de jogadores de alto nível que atuavam pelo ASCADE que havia encerrado suas atividades no futsal. Era Fitinha, Zé Mauro, Zequinha, Redi, Marcão, Ricardo, Amauri e outros. Nesse ano a ARUC já fez uma boa campanha ficando entre os quatro primeiros e conquistando a Taça Tenente Valdemar que era realizada antes do campeonato oficial.

Em 1981 assume o comando da equipe o ex-atleta Paulo Roberto Amaral, o popular Paulinho, um dos maiores pivôs da história do futsal brasiliense que iniciava aí sua carreira de treinador. Convidamos então alguns outros atletas para compor o grupo, tais como Hugo, Lourinho, Massaroto, Pantera e Maurição. Era realmente um grande time.

Fizemos uma campanha memorável e fomos para a final com o Economiários, hoje APCEF. O jogo foi realizado no ginásio do Minas completamente lotado, sendo transmitido pelas TVs Capital e Nacional, narrado pelo memorável Nilson Nelson. A ARUC fez 1x0 e o Economiários empatou. Antes do jogo o pivô Hugo veio falar comigo, meio triste porque ia ficar no banco, porém, foi taxativo: “Vou entrar no segundo tempo e fazer o gol da vitória!”

A partida corria com lances emocionantes em um jogo muito equilibrado pelo nível técnico das duas equipes. Hugo entra no decorrer do segundo tempo e recebe uma bola, domina no peito e gira, fazendo o gol da vitória da ARUC. Eu estava atrás do banco de reservas e Hugo se dirigiu até mim e me deu um forte abraço e repetiu suas palavras: “Não falei que faria o gol?”

Começava então uma forte amizade que dura até hoje. Nos finais de semana sempre encontro Hugo praticando futvolei no Parque da Cidade e faço questão de contar esta história para todos do meio esportivo. Esse mesmo time foi quarto lugar no campeonato brasileiro em Fortaleza/CE, sendo uma das melhores colocações de Brasília nesta competição.

Antes de viajar para Fortaleza a ARUC foi procurada por dirigentes de outros clubes que queriam a nossa vaga por achar que não teríamos condições financeiras para viajar. Realmente foi muito difícil, devido à nossa falta de condições, porém, encontramos um apoio muito grande dos desportistas Marco Aurélio Guedes e Amauri Roboredo que trabalhavam no SEED/MEC e conseguiram grande parte das passagens aéreas. Para mim seria uma questão de honra participar da competição porque era a forma de recompensar o grande esforço dos atletas na conquista do título de campeão brasiliense.

Nossa homenagem a este grupo vencedor formado por Miltão (massagista), Fitinha, Maurição, Massaroto, Toinha, Pantera, Roberto, Vareta (auxiliar), Zequinha, Redi, Hugo, Marcão, Lourinho e Ricardo. O grupo contava ainda com Zé Mauro, Augusto Climaco, Luís Pinóquio, Bira Santos, Francisco Paulo Esquerdinha, Paulo Amaral e Heitor, este, o maior o treinador da história do futsal de Brasília e que deu grande contribuição a nossa ARUC.

Fitinha

Do grupo campeão de 1981, há uma passagem sobre um atleta que julgo muito interessante, é o goleiro Roberto Goulart Barbosa, o popular Fitinha. Goleiro da nossa ARUC e presença constante em todas as seleções que foram formadas em nossa cidade. No início dos anos 70 fui convidado pelo dirigente da ASCADE Camerino Raul Conforte para assistir um jogo no Ginásio de Esportes do Gama e quando o time entrou em quadra vi um garoto franzino e de baixa estatura entrando como goleiro do ASCADE. Em tom de brincadeira falei com Seu Camerino: “O senhor vai colocar um garoto em um jogo de adultos. Isso não vai dar certo. Ele vai levar uma bolada e sair machucado” Seu Camerino respondeu: “Meu filho, você vai ver o futuro melhor goleiro de Brasília” E foi o que aconteceu.

Fitinha fechou o gol e garantiu a vitória do ASCADE. Começava ali uma carreira vitoriosa de um atleta com quem tenho orgulho de ter convivido e o considero dentro daqueles que incorporam o espírito cruzeirense de garra e dedicação. Apesar de não ter mais contato com Fitinha, por questões alheias à minha vontade, continuo sendo seu fã e só tenho a agradecer-lhe pela confiança que depositou em mim e na nossa ARUC.

Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes

Minhas histórias na ARUC

Roberto de Lima Machado – exemplo de superação

Conheci Roberto nos anos 60 logo que cheguei a Brasília. A exemplo dos meus pais, os pais de Roberto foram transferidos do Rio de Janeiro para Brasília e na época o Cruzeiro era uma cidade pequena e onde todos se conheciam. Ele dava aula de reforço escolar e em curso Madureza (atual EJA) onde era procurado por todos para tirar dúvidas, recuperação e para ajudar nas atividades escolares. Uma figura muito simpática e com facilidade muito grande para fazer amigos.

Em 1965 eu começaria a estudar no Ginásio e tinha uma preocupação muito grande com as atividades físicas porque os amigos elogiavam muito o professor João de Oliveira e quem se destacava conseguia prestígio no colégio. Então eu ia para a quadra da ARUC treinar basquete, uma modalidade que eu tinha pouco conhecimento. Certa ocasião, passando pela quadra, o Roberto me viu treinando sozinho e parou para me ensinar os fundamentos do basquete. Quando começaram as aulas, diante de mais de duzentos alunos, o professor João me selecionou para fazer parte da equipe, uma vez que eu havia tido um bom desempenho na parte de iniciação. A partir dali passei a ser um grande admirador do Roberto e criamos um laço de amizade até o seu falecimento.

Em 1979 apresentei ao Roberto uma sugestão de enredo contando a história de Iemanjá. Levei um material que eu tinha e o Roberto gostou muito e ficou de estudar. Dias depois me chamou na sua casa e comunicou que tinha gostado do tema e então demos o nome do enredo: “Iemanjá, um poema de amor”. Foi a minha primeira e única participação na montagem de um enredo na ARUC.

Mal sabia eu o que viria pela frente. À medida que o enredo foi se desenvolvendo, éramos procurados por pessoas pedindo para colocar no histórico e até no desenvolvimento do enredo, o seu segmento, o que levou a mim e ao Roberto quase à loucura, porque o enredo nunca fechava. Enfim, acabei inocentemente envolvendo o Roberto em uma grande furada. O pior ainda estava por vir.

Apesar dos problemas, apresentamos um carnaval muito bonito. Só que uma história, que até hoje, ninguém sabe explicar, surgiu no meio disso tudo. Esqueceram de levar a bandeira para o desfile. Em um quesito onde a menor nota era um, o jurado resolveu dar zero, pois se tivéssemos tirado a nota mínima, no desempate com a bateria, teríamos ganhado o carnaval.

Com o Roberto aprendi muita coisa e a principal delas é fazer o carnaval com planejamento e jamais gastar mais do que se recebe. Isso se estendeu até em minha vida pessoal. Nos anos em que fui presidente, o Roberto entregava a prestação de contas antes do desfile, sempre restando um saldo e ele avisava que o melhor que podia ser feito ele fez e que caberia aos jurados o julgamento final. E sempre dava ARUC na cabeça, provando que para um carnaval vitorioso não se precisa acumular dívidas.

Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes

Minhas histórias na ARUC

sábado, 3 de setembro de 2011

Regina Célia, um símbolo da garra do esporte cruzeirense

Na foto, equipe campeã brasileira de futsal feminino 1990. Em pé: Romualdo (dirigente), Mônica (dirigente), Cristina Veloso, Irene, Lilian, Regina e Jorge(treinador). Agachadas: Ana Lúcia, Iara, Ray, Vânia Jane e Erivanda. Fazia parte do plantel Kity que não pode viajar na época. A homenagem a Regina se estende a todas as demais atletas que jogaram em Mairinque e no período em que foi mantido o time de futsal feminino da ARUC.

Poucas pessoas incorporaram o espírito cruzeirense como a goleira de futsal feminino Regina Célia. Atuou pela ARUC por quase vinte anos e aliou dedicação, espírito esportivo e liderança num grupo de meninas que foram campeãs brasileiras, na cidade de Mairinque, interior de São Paulo, no ano de 1990.

Quando a ARUC completa 50 anos, nada mais justo do que tê-la como um símbolo do esporte de nossa entidade. Regina nunca atuou por outra equipe, enquanto o futsal da ARUC esteve em atividade. Em Brasília, conquistou todos os títulos oficiais que disputou por nossa entidade, além de outros torneios interestaduais e locais. Sabia transmitir simpatia e tinha um carisma muito grande com crianças, adolescentes e adultos, que sempre a abordavam para conversar e até mesmo pedir um autógrafo. Ela nunca se negou a atender quem quer fosse, passando uma imagem positiva de nossa entidade.

Na conquista do título de 1990, a final foi ARUC e SAAD de São Paulo, a mais forte equipe do futsal feminino na época. O jogo terminou 4x4 no tempo normal e na disputa de penaltis Regina se superou e defendeu duas cobranças. Antes da disputa, eu e o treinador Jorge Wanderley estávamos preocupados porque achávamos que ela iria tentar garantir de qualquer maneira o título, sem poupar esforços.

Combinamos então de ficarmos ao lado da trave, um de cada lado, e pedimos ajuda dos paramédicos para que ficassem atentos, pois tínhamos a certeza de que ela iria na bola. E foi o que aconteceu. No primeiro penalti ela fez a defesa, em um chute fortíssimo, e no segundo, uma atleta de quase dois metros e porte físico privilegiado deixou a mim e Jorge mais preocupados e o que prevíamos aconteceu.

A atleta bateu o penalti e ela defendeu, com a bola batendo em seu estômago. Os paramédicos, conforme combinado, entraram em quadra imediatamente e com isso a ARUC foi campeã brasileira, levando um público de mais de cinco mil pessoas ao delírio. Não sabíamos se comemorávamos ou se dávamos assistência à nossa goleira que desmaiara com o forte impacto da bola.

A eficiência do atendimento médico fez com que ela se recuperasse a tempo de receber o troféu de campeão como capitã e todas as honras de melhor atleta do campeonato.

É pelo conjunto de dedicação à ARUC que prestamos esta merecida homenagem a um dos símbolos da garra do nosso esporte.

Helio Dos Santos com a colaboração do Moa e Rafael.
Minhas histórias na ARUC

Nilton de Oliveira Sabino, o grande líder da ARUC


Quando a ARUC completa 50 anos, me vem a lembrança do grande símbolo de nossa entidade: Nilton de Oliveira Sabino. Grande líder da ARUC e do carnaval de Brasília no período de 1975 a 1980, com seu porte físico de quase dois metros e sua cor negra, já chamava a atenção naturalmente. Figura simpática que se relacionava bem com todos e abria as portas de sua casa para os amigos. Ele foi o responsável pela recuperação da ARUC depois do grande fracasso com a desclassificação em 1974. Assumiu a presidência em 1975 e fez um trabalho de renovação colocando como dirigentes da entidade o que ele chamava de Jovem Guarda cruzeirense, na qual me incluo. Aliado ao grande carnavalesco Roberto Lima Machado reconquistou o título logo no ano seguinte, quando ninguém esperava uma recuperação tão rápida.

Colaborei com a sua diretoria, inicialmente, na área de esportes, junto com o grupo do Ginásio do Cruzeiro. Em 1978 fui convidado a ocupar a vice-presidência da ARUC e passei a atuar efetivamente também no carnaval. Quando a ARUC ia para o desfile de 78, na W3, fui chamado às pressas na casa de Sabino, sem saber do que se tratava. Para minha surpresa, ele estava na cama passando mal e me passou a ordem de que era eu quem iria comandar a ARUC na avenida, uma vez que ele não teria condições físicas. Ato contínuo chamou sua esposa, dona Ana, e pediu que ela o avisasse caso alguém me desrespeitasse, pois ele tomaria severas providências. Argumentei ser muito novo para assumir uma responsabilidade tão grande como aquela e que não me achava preparado.

Não teve jeito. Ele insistiu e tive de assumir o compromisso de comandar a ARUC na avenida. Procurei meu irmão mais velho, Melão, e Heraldo, um dos fundadores da ARUC e freqüentador da casa de minha mãe, e comuniquei-lhes minha preocupação em não corresponder a expectativa de Sabino. Eles me tranquilizaram, dizendo que me ajudariam e que, com certeza, tudo daria certo. E foi o que aconteceu.

Todos me ajudaram e a ARUC fez um grande desfile e foi mais uma vez campeã. Me senti gratificado, acima de tudo por ter cumprido a missão passada por nosso grande líder Sabino, que confiou no meu trabalho. Mesmo não sabendo sambar, muito menos cantar, me tornei um dos colaboradores mais próximos de Sabino, até substituí-lo em 1980. Passamos momentos de extrema alegria, tristeza e dificuldades. Estou aqui até hoje colaborando voluntariamente para manter a ARUC vitoriosa e respeitada em Brasília e até mesmo em outros estados.

Só não entendo porque a classe política de Brasília ainda não percebeu isso. Uma vez que continuamos a luta de Sabino para regularizar a área onde funcionamos sem o reconhecimento das autoridades do Distrito Federal. Parodiando o primeiro samba de terreiro de 1961, “Muita gente se gloreia se o Cruzeiro morrer”, enquanto eu estiver por aqui, dificilmente isso vai acontecer. E lá de cima Mestre Sabino deve estar muito atento a isso, me passando a energia suficiente para sobrevivermos.

Helio do Santos com a colaboração do Moa e Rafael.

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