terça-feira, 4 de outubro de 2011

Marly e o coração de pedra

Se tem uma pessoa na história da ARUC que sabia cantar todos os sambas-enredos até o seu falecimento, uma delas era minha irmã Marly. Ela participou da fundação da ARUC e desfilou na Harmonia e na Ala das Baianas. A lembrança que tenho da minha irmã era de todos os dias, no fim da tarde, quando ia tomar banho, começava a cantar sambas-enredos e sambas de terreiro da ARUC. Uma vez ou outra “Deixa eu te amar” do Agepê e “Mulheres” do Martinho da Vila.

Ela sempre me cobrava a presença do Agepê na ARUC. Quando já estava quase certa a sua presença em um show ele veio a falecer. Um dos sambas da ARUC que a Marly mais gostava era “Coração de Pedra”, cujo trecho da letra que me lembro era assim:

TUA BELEZA NÃO DEDUZ
REALMENTE QUEM TU ÉS
O PERDÃO TU NÃO TERÁS
NEM QUE UM DIA VENHA DE JOELHOS AOS MEUS PÉS
A TUA INGRATIDÃO FOI DE MAIS
MAGOASTE A QUEM TANTO TE FEZ BEM
CORAÇÃO DE PEDRA NÃO GOSTA DE NINGUEM
DEITE UM LAR TÃO LINDO
TU DESPREZASTES...

Não consegui até hoje identificar o autor e a letra completa. Caso alguém sabe como ela continua, por favor, envie para o e-mail da ARUC (aruc.df@gmail.com)

Esse com certeza foi um dos maiores sambas de terreiro da nossa ARUC e nada mais justo do que lembrá-lo no momento em que completamos cinqüenta anos.



Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes
Minhas histórias na ARUC

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Figurino da ARUC para 2012 (4)



Hoje publicamos mais um figurino da ARUC para o carnaval 2012, com o enredo Portinari, as cores e as caras do Brasil.


ALA 4 - O MORRO DO RIO

A fantasia representa a obra O Morro do Rio, com a qual Portinari ganha, pela primeira vez, o mercado internacional. A obra foi comprada por Alfred Barr que a expõe no MoMA, Museu de Arte Moderna, de Nova Iorque, ao lado de artistas consagrados mundialmente. O interesse despertado pela obra faz Barr preparar uma exposição individual de Portinari em Nova Iorque.

1996 – a página negra no futsal de Brasília

Na foto: Zé Antônio, Augusto, Fernando, William, Nilson, Antenógenes, Ricardinho e Julinho.

Em 1996 fomos procurados por um grupo de atletas, em sua maioria de Taguatinga, para montar uma equipe de futsal para disputar o campeonato de Brasília. Em princípio achávamos que era apenas para participar, sem grandes pretensões. Só que o time foi ganhando e assumindo a liderança do campeonato da cidade, competindo com equipes tradicionais da época.

Ganhamos o primeiro turno e se ganhássemos o segundo turno seríamos campeões. No segundo turno, na última partida jogávamos pelo empate para ganhar também o segundo turno e foi o que aconteceu. Foi uma festa após o jogo, recebemos os cumprimentos de todos os dirigentes que estavam no local e fizemos uma grande comemoração na ARUC. Para nossa surpresa a Federação marcou uma reunião para tratar do calendário do ano seguinte e nessa reunião ficamos esperando por muito tempo, até que surgiu um diretor desconhecido com um boletim marcando a partida final contra o Candangos no final de semana.

Eu, que era vice-presidente da Federação, fiquei sem entender, mesmo porque a conquista do título pela ARUC já havia sido homologada. Vale ressaltar que antes do último jogo procurei o senhor Cláudio da Luz, secretário da Federação e Romualdo, presidente que me confirmaram que a ARUC jogaria a última partida pelo empate.

Os jogadores da ARUC não concordaram com a mudança do regulamento aleatoriamente, eu pedi demissão da vice-presidência da federação, assim como o senhor Cláudio da Luz e o diretor de árbitros Cláudio Félix. Foi a página triste da história do esporte mais popular em todos os tempos em Brasília. Uma vergonha inexplicável que só foi possível graças ao mau-caráter de algumas pessoas que se julgavam dirigentes acima de qualquer suspeita. Depois daquilo o time acabou e ficou uma grande frustração para os atletas após vencer na quadra e perder na podridão dos bastidores.

O Sr. Adão, dirigente do Candangos, não consegue convencer ninguém dessa armação sórdida. Será que a sua consciência não pesa até hoje por ter um título que não é seu?

Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes
Minhas histórias na ARUC

Seu Valdir e dona Ruth – o casal 20 da ARUC

Conheci Seu Valdir e dona Ruth em 1976 quando passei a colaborar, além do esporte, com o carnaval. O casal morava no Cruzeiro Novo e seu apartamento estava sempre aberto para os amigos da ARUC. Sempre cabia mais um.

A maior lembrança que tenho do casal é do carnaval de 1982 quando o desfile foi realizado em Taguatinga e os componentes da ARUC não gostaram da transferência da W3 e não quiseram desfilar. Era meu primeiro carnaval como presidente e no momento em que estávamos armando a escola, fomos pegos de surpresa porque uma parte dos nossos componentes passaram com a fantasia da Academia da Asa Sul, uma escola nova que desfilava pela primeira vez. Trouxeram fantasias da Beija-Flor do Rio e isso fez com que o nervosismo tomasse conta da ARUC.

Dona Ruth chorava, já achando que iríamos perder o carnaval e Seu Valdir, também aos prantos, tentava acalmá-la. Eu, o carnavalesco Roberto e o diretor Heraldo Soares entramos em ação para acalmar os nossos componentes mostrando que o carnaval se ganhava na avenida. Pois bem. A escola concorrente fez um desfile confuso em menos de vinte minutos, o seu diretor de Harmonia empurrava a imprensa que cobria o carnaval e a maioria das fantasias que foram distribuídas por eles na avenida foram usadas pelo pessoal para brincar no Clube Primavera, que tinha o maior carnaval de Brasília e ficava próximo ao local do desfile.

Sabendo disso, o casal ficou mais calmo e fizemos um grande desfile, vencendo com uma diferença de 17 pontos para o segundo lugar, que foi a Asa Norte. Seu Valdir e dona Ruth integravam a equipe de carnaval do Roberto e ajudavam na confecção de fantasias, além da montagem de carros alegóricos e eram, juntos com Thió, responsáveis pelo bar; sem nunca ter recebido nenhum centavo pelos serviços prestados. Hoje o casal mora no Espírito Santo, mas deixou a sua neta Greice, esposa do vice-presidente de carnaval Abelardo, para sucedê-los.

Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes
Minhas histórias na ARUC

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Carlos Elias e Manoel Brigadeiro – samba de raiz

A nova geração cruzeirense não conviveu com os grandes sambistas de Brasília e até mesmo do Brasil: Carlos Elias e Manoel Brigadeiro. Recentemente a diretoria resolveu homenagear Carlos Elias nomeando o novo espaço inaugurado em 3 de setembro, sendo que o Quiosque recebe o nome de Manoel Brigadeiro desde 2005.

Carlos Elias pertenceu à Ala de Compositores da Portela e em meados da década de 70 veio transferido do Itamaraty para Brasília quando foi convidado por Manoel Brigadeiro para integrar a Ala de Compositores da ARUC, escrevendo vários sambas enredos para nossa escola de samba. Ele era também muito atuante no Botequim da ARUC, criou o Clube do Samba em Brasília e durante o Projeto Pixinguinha sempre convidava sambistas famosos que vinham a Brasília para visitar a nossa ARUC.

Certa ocasião eu e um grupo de colegas que organizavam o Baile Soul aos domingos na ARUC, fomos ao restaurante Roma na W3 comer uma pizza e para nossa felicidade encontramos Carlos Elias com nada mais nada menos com um dos maiores compositores da música brasileira, Nelson Cavaquinho. Foi uma festa! Quando o sambista carioca soube que nós éramos de uma escola de samba, aí que a coisa esquentou. Ele acabou cantando várias músicas de seu repertório e não queria mais ir embora. Enfim, foi uma noite de gala.

Carlos Elias morou durante muito tempo em Paris, trabalhando no consulado brasileiro e sempre mandava cartões perguntando como estava a nossa ARUC.

Já Manoel Brigadeiro, autor do famoso samba “Tem bobo para tudo” era figura freqüente na ARUC e querido por todos. Ele sempre morou na Asa Norte, exatamente na quadra onde se concentrava a maior parte dos componentes da Acadêmicos da Asa Norte, nossa maior concorrente durante muitos anos. Sempre usando a camisa da ARUC, às vezes provocava a insatisfação dos adversários, mas ele não tinha medo e não negava a sua paixão pela nossa escola. Em um bar na Asa Norte tinha o “cantinho do Brigadeiro”: uma mesa onde diariamente ele ia tomar a sua gelada.

Hoje com problemas de saúde já não mais participa das nossas atividades. Brigadeiro foi presidente da Liga das Escolas de Samba de Brasília, é sócio benemérito e Presidente de Honra da ARUC.

Helio dos Santos, com colaboração de Rafael Fernandes
Minhas histórias na ARUC