Para presidente da escola, povo está decepcionado após cancelamento. Prejuízo da Aruc é de R$ 50 mil; peças devem ficar para ano que vem.
Luciana Amaral, do G1 DF, 17/02/2015.
Membros do grupo de teatro brasiliense "Os melhores do mundo", homenageados no enredo, chegaram a ir no primeiro ensaio da Aruc (Foto: Aruc/Divulgação)
O presidente da Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc), a maior vencedora do carnaval de Brasília, Hélio dos Santos, disse que a escola terá de fazer um trabalho para estimular seus integrantes e simpatizantes para o carnaval do ano que vem. Com o cancelamento do desfile deste ano por falta de recursos do governo do Distrito Federal, a escola teve um prejuízo de pelo menos R$ 50 mil.
A Aruc realizou ensaios desde agosto de 2014 até o início de fevereiro deste ano.
Galpão da Aruc, no Cruzeiro, durante ensaio
(Foto: Aruc/Divulgação)
"Vamos ter de fazer um trabalho com os brasilienses e a própria comunidade do Cruzeiro para incentivá-los a participarem dos desfiles de novo. Todo mundo fica um pouco decepcionado", disse.
Campeã 31 vezes e vice-campeã nos últimos três anos, a Aruc estava empolgada para tentar voltar a vencer o carnaval do DF. "Ficamos com uma sensação e um sentimento de derrota. Com a interrupção, ficou um vazio grande. O carnaval do grupo especial cresceu muito nos últimos anos aqui em Brasília. Ele voltou para a área central e o público voltou com essa iniciativa. Teremos de refazer e reforçar a chamada para os desfiles no ano que vem."
Prejuízo
No momento, a escola estuda como tentar amenizar o prejuízo com o cancelamento dos desfiles. "Estamos com um rombo de R$ 50 mil que a gente ainda não sabe como cobrir, estamos vendo como vamos fazer. A situação é muito difícil, e olha que a Aruc é uma das que menos devem."
Os ensaios para o desfile, que teria como enredo os 20 anos do grupo de comédia brasiliense "Os melhores do mundo", começaram oficialmente em 15 de agosto. Membros da trupe chegaram a ir para o primeiro ensaio realizado.
A princípio, todos os adereços e trabalhos prontos ficarão guardados para o ano que vem. Aramados para 800 fantasias foram encomendados do Rio de Janeiro, composições de carros alegóricos estavam desenhadas, e protótipos dos figurinos, confeccionados.
Mesmo assim, o presidente da agremiação pede um posicionamento antecipado do GDF em relação ao carnaval de 2016. "Temos de ter uma garantia do governo em relação ao ano que vem, pois o cancelamento pode se repetir. Uma coisa é promessa, outra é a prática. Temos muitas despesas e foi tudo anunciado em cima da hora", afirma.
Porta-bandeira
A moradora do Cruzeiro e estudante Bárbara Duarte faria no desfile deste ano a segunda aparição como primeira porta-bandeira da escola. Ela vinha se preparando duas vezes por semana, de uma a duas horas em casa ensaio, desde o final de outubro, quando concluiu o curso de porta-bandeira.
A estudante Bárbara Duarte ia desfilar pela segunda vez como a primeira porta-bandeira da
Aruc (Foto: França Vilarinho/Divulgação)
Para Bárbara, foi ruim se preparar por um longo tempo, mas ela continuou com ensaios particulares para desfilar no bloco Cacique do Cruzeiro.
"Foi bem desagradável. A gente passa esse tempo todo se preparando e aí é cancelado. Nós até sabíamos dessa possibilidade, mas quando confirmou é que foi um baque. Agora continuo treinando para sair com o Cacique e para desfile do ano que vem. Queremos estar bem para voltarmos a vencer. Nosso passado é de muita glória, então realmente ficou esse gostinho [de decepção]."
Primeiro desfile
A estudante Lorena Guedes acompanha a Aruc há nove anos e ia desfilar na avenida pela primeira vez com um grupo de dança da escola. "A expectativa estava grande. Dá pena porque eu moro perto e vi tudo sendo construído, ficando bonitinho. Agora a alternativa é ir para os blocos."
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
É preciso se perder
Crônica publicada no Blog da Conceição
No banco de trás do jipe de janelinha de plástico, duas meninas eram conduzidas a seu primeiro carnaval, em fins dos anos 1960. Feita a travessia do bairro popular ao centro da cidade — algo como da Ceilândia ao Plano Piloto —, chegaram ao olho do furacão. Elas nunca havia visto tanta gente feliz, misturadas, desconhecidas umas das outras, e felizes.
Era diferente das festas juninas, onde a alegria era doméstica, girava em torno da fogueira e reluzia em estrelinhas de fogos de artifício.
O carnaval é geneticamente urbano. Seu território é o asfalto, o anonimato. É saliente, o carnaval. Precisa das cidades, das praças e das avenidas para desarrumar as cidades, os bons modos e a espécie urbana. Não é fácil ser civilizado, mesmo para quem apenas finge que é.
Carnaval de rua, como aquele das duas meninas do jipe da janela de plástico, nasce da combustão urbana.
Em Brasília, ele nasceu da saudade do Rio de Janeiro. Da saudade da democracia surgiu o bloco mais importante da cidade.
Aos 55, a nova capital é invadida por mais de 40 blocos de carnaval — contei 44, mas há quem diga que são mais de 50. A maioria deles avança pelo Plano Piloto, desde a Praça do Cruzeiro, passando pela contramão da W3, se derramando no Eixão, descendo e subindo as tesourinhas e parando nas entrequadras.
Se doutor Lucio estivesse vivo, se sentiria tão positivamente surpreso quando de sua visita à Rodoviária na década de 1980. O arquiteto percebeu que o povo havia melhorado a obra dele, transformado uma projeção elitista numa praça popular.
Não é só em Brasília que o carnaval de rua está explodindo. Essa recente invasão carnavalesca talvez faça parte de um movimento de ocupação das cidades, um gesto político da população cansada do fracasso urbano, um modo espontâneo de re-humanizar as metrópoles antes que elas nos desumanizem irremediavelmente.
Muita coisa mudou desde o carnaval visto da janelinha de plástico, mas nada mudou. É preciso se perder, pelo menos uma vez por ano. E se perder na multidão é um modo de se reconhecer um no outro, uns nos outros.
No banco de trás do jipe de janelinha de plástico, duas meninas eram conduzidas a seu primeiro carnaval, em fins dos anos 1960. Feita a travessia do bairro popular ao centro da cidade — algo como da Ceilândia ao Plano Piloto —, chegaram ao olho do furacão. Elas nunca havia visto tanta gente feliz, misturadas, desconhecidas umas das outras, e felizes.
Era diferente das festas juninas, onde a alegria era doméstica, girava em torno da fogueira e reluzia em estrelinhas de fogos de artifício.
O carnaval é geneticamente urbano. Seu território é o asfalto, o anonimato. É saliente, o carnaval. Precisa das cidades, das praças e das avenidas para desarrumar as cidades, os bons modos e a espécie urbana. Não é fácil ser civilizado, mesmo para quem apenas finge que é.
Carnaval de rua, como aquele das duas meninas do jipe da janela de plástico, nasce da combustão urbana.
Em Brasília, ele nasceu da saudade do Rio de Janeiro. Da saudade da democracia surgiu o bloco mais importante da cidade.
Aos 55, a nova capital é invadida por mais de 40 blocos de carnaval — contei 44, mas há quem diga que são mais de 50. A maioria deles avança pelo Plano Piloto, desde a Praça do Cruzeiro, passando pela contramão da W3, se derramando no Eixão, descendo e subindo as tesourinhas e parando nas entrequadras.
Se doutor Lucio estivesse vivo, se sentiria tão positivamente surpreso quando de sua visita à Rodoviária na década de 1980. O arquiteto percebeu que o povo havia melhorado a obra dele, transformado uma projeção elitista numa praça popular.
Não é só em Brasília que o carnaval de rua está explodindo. Essa recente invasão carnavalesca talvez faça parte de um movimento de ocupação das cidades, um gesto político da população cansada do fracasso urbano, um modo espontâneo de re-humanizar as metrópoles antes que elas nos desumanizem irremediavelmente.
Muita coisa mudou desde o carnaval visto da janelinha de plástico, mas nada mudou. É preciso se perder, pelo menos uma vez por ano. E se perder na multidão é um modo de se reconhecer um no outro, uns nos outros.
Escolas de samba começam a calcular prejuízos com a folia que não ocorreu
Existem agremiações com dívidas de R$ 250 mil. Parte do material e da mão de obra veio de São Paulo e do Rio
por Kelly Almeida , Roberta Pinheiro do Correio Braziliense, 17/02/2015.Maior do que a decepção em não realizar um carnaval é a preocupação de que a crescente cultura dos desfiles em Brasília morra. Desde o ano passado, os barracões das agremiações funcionavam a todo vapor. Fantasias, carros alegóricos, sambas-enredo. Tudo preparado para entrar na avenida e tentar buscar o título de campeã ou subir para o grupo especial. O sonho, porém, foi interrompido quando o Governo do Distrito Federal (GDF), alegando crise financeira, cancelou os eventos oficiais da festa. Sem desfiles, restou o prejuízo. A União das Escolas de Samba e Blocos de Enredo do DF (Uniesbe) estima que o valor chegue a R$ 2 milhões. O governo diz que estuda uma solução.
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| Fantasias da Aruc estocadas: escola havia investido R$ 100 mil e sairia com 1 mil componentes |
A agremiação desfilaria com 600 componentes e viria com o tema “Ópera Africana e Brasileira — O canto da maioria silenciado”. Agora, resta aos organizadores guardar o material. Por enquanto, está tudo acumulado na Casa da Cultura, no Guará. “O material de algumas escolas está lá. Vamos dar um jeito de guardar tudo o que foi feito com a promessa de usar o ano que vem”, explica Marcelo Marques. “A situação é de desespero total. As diretorias estão deprimidas com o processo. Vamos ter que fazer rifas e bingos para tentar arcar com o prejuízo”, complementa Alaídes Rodrigues de Sousa, presidente de honra da Aruremas, do Recanto das Emas. A agremiação gastou R$ 62 mil. “Vínhamos para disputar o carnaval e melhoramos todo o material. Desfilaríamos com 862 pessoas e faríamos homenagem a Lampião e Maria Bonita.”
Este ano, a maior campeã do carnaval brasiliense, a Aruc, homenagearia a companhia de teatro Os Melhores do Mundo, que completa 20 anos em 2015. Havia investido R$ 100 mil e sairia com 1 mil componentes. Parte do material ficará guardado, mas a presidência afirma que uma parte acaba se destruindo com o tempo. “O maior prejuízo é institucional, uma vez que a não realização do carnaval quebra a sequência de bons desfiles que as escolas vinham fazendo, e isso é muito difícil de recuperar. É um trabalho de anos do grupo especial”, lamenta Hélio Santos, presidente do conselho de administração. “A gente luta agora para garantir o carnaval de 2016, senão, será decretado o fim das escolas de samba de Brasília.”
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
ARUC no Galinho de Brasília
Sem desfile das Escolas de Brasília neste ano, a ARUC não ficou parada. Além de manter a programação de ensaios até o domingo que antencedeu o carnaval, sua bateria Ritmo Quente vem se apresentando em vários eventos pela cidade e nesta segunda-feira de carnaval foi convidada a participar do desfile do Galinho de Brasília. O bloco de frevo se concentrou no Setor de Autarquias Sul e saiu pela L1 Sul e o casal de Mestre-Sala & Porta Bandeira Rolando e Jéssica conduziram o pavilhão azul e branco ao som das marchinhas da Orquestra Marafreboi junto aos bonecos do bloco em uma bela integração de dois estilos consagrados de carnaval, o samba e o frevo.
sábado, 14 de fevereiro de 2015
GOVERNADOR ROLLEMBERG VISITA A ARUC E REAFIRMA SEU COMPROMISSO COM O CARNAVAL DE BRASILIA
Convidado pela diretoria da ARUC, o governador Rodrigo Rollemberg visitou no domingo (08/02), a nossa quadra, acompanhado do Secretário de Turismo, Jaime Recena, e do Administrador do Cruzeiro, Paulo Feitosa, prestigiando o último ensaio da ARUC no Carnaval 2016.
Recebido pelo presidente da ARUC, Márcio Coutinho (Careca), pelo presidente da Uniesbe, Geomá Clementino (Pará) e por outros diretores da ARUC, o governador Rollemberg circulou à vontade pela quadra, cumprimentou o público presente, posou para fotos, recebeu o nosso pavilhão e, num clima de muita descontração, chegou a tocar chocalho com a Bateria da ARUC.
O governador declarou estar emocionado com o carinho com que foi recebido pela comunidade cruzeirense e postou em seu perfil pessoal no facebook: “Emocionante a recepção que tive agora na ARUC, mesmo sem desfile das escolas de samba, em função da crise financeira que passa o GDF, recebi centenas de manifestações de compreensão, carinho e de fé no futuro. Isso tudo me faz ter certeza que com nossa união Brasilia vai vencer”.
A diretoria da ARUC e a comunidade cruzeirense, embora tristes e lamentando a não realização dos desfiles das escolas de samba de Brasília neste ano, entendem a decisão do governador, diante da grave crise financeira vivida pelo GDF, e lhe dão um crédito de confiança, na esperança de que, superada a crise atual, Brasília terá um grande Carnaval em 2016.
Durante a visita, o governador sinalizou que pretende criar as condições para viabilizar os desfiles das escolas de samba em 2016, com o pagamento da subvenção até outubro, determinou que o Secretário de Turismo acelere o processo para a concessão de terrenos para as entidades carnavalescas que não possuem sede, prometeu viabilizar junto à Secretaria do Trabalho convênios para a realização de cursos de capacitação profissional para a cadeia produtiva do Carnaval e pediu que o Secretário de Turismo e o Administrador do Cruzeiro agilizem o processo de regularização da área ocupada pela ARUC e a volta do alambrado que cerca o terreno para o seu local original, desfazendo as alterações promovidas pelo governo anterior, à revelia da diretoria da ARUC e da Secretaria de Esportes, proprietária oficial da área.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
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